quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Eleição do prefeito de SP abre um caminho para marcar os futuros embates.

Carlos Fehlberg

Líderes tucanos pPartido dos Trabalhadores deflagra renovação com Fernando Haddad. Aécio Neves e Eduardo Campos ganharam evidência

Haddad, em reunião com Dilma A renovação de valores que o PT apostou com Fernando Haddad deverá influir também na decisão do PSDB, confirmando Aécio Neves seu candidato à sucessão presidencial em 2014. Esta é uma das conclusões dos resultados eleitorais do último domingo. Se o senador mineiro já vinha despontando agora vê consolidada essa postura. Mas essa não é a única das muitas observações da eleição de domingo. Há uma terceira força surgindo e com um líder crescendo. Trata-se do PSB de Eduardo Campos que já se destacava antes mesmo do pleito.

Com os números do segundo turno a tendência se confirma. Fernando Henrique já destacou o fato e recomendou um entendimento aos tucanos. Aécio Neves busca essa aproximação já algum tempo e a eleição em Belo Horizonte mostrou isso. Nas equações para 2014 o PSDB tem espaço para entender-se com o PSB, enquanto o PT não pode desprezar a forte estrutura do PMDB cuja contribuição ao Partido ficou fortalecida em várias disputas, incluindo São Paulo.

Isto tudo, porém, é apenas uma primeira visão da recente disputa eleitoral, que ainda passará por muitos fatores e jogo político até 2014. De qualquer maneira ficou clara a decisão petista em renovar seus quadros com a vitória de Fernando Hadad numa disputa estratégica em São Paulo. Foi uma aposta que deu certo, montada e mantida com a liderança de Lula. Uma audaciosa aposta e que deve influir na renovação dos demais, embora o caso de Haddad, desponte com maior destaque pelas proporções do desafio proposto.

Senador Aécio Neves, provável candidato à presidência em 2014

Lições para 2014
Tudo isso constitui uma observação sobre a eleição e seus primeiros reflexos. A partir de agora o foco estará voltado para 2014 com as lideranças partidárias avaliando o pleito municipal, tirando lições e montando novas estratégias. O resultado de São Paulo por sua importância já constitui um referencial e envolve algumas conclusões, além de advertências. O novo funcionou na bem sucedida estratégia petista e pode constituir uma referência nas novas articulações partidárias.

Repercussões
1. O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, passou cerca de 40 minutos, na manhã de ontem com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. Haddad disse que agradeceu o empenho da presidente na campanha e aproveitou para estabelecer uma "rotina de trabalho" com o governo federal e já tratou da renegociação da dívida da capital.

Fernando Haddad: “Quero estabelecer uma transição de alto nível com Kassab e promover, este mesmo tipo de interlocução com o governo federal"

2.“Quero, sem nenhuma perda de tempo, estabelecer que, assim como vamos fazer uma transição de alto nível com Kassab, já constituir equipes que possam trocar informações, quero promover, este mesmo tipo de interlocução com o governo federal", disse Fernando Haddad, após o encontro.

3. Dos 23,3 milhões de votos válidos, domingo, 12,5 milhões foram para duas siglas. O PT teve 30% dos votos válidos, enquanto o PSDB ficou com 24,2% deles.

4. Mais da metade dos eleitores que compareceram às urnas de 50 cidades no escolheu votar no PT ou no PSDB, segundo dados do TSE. As duas siglas tiveram 54,2% dos 23,3 milhões de votos válidos do segundo turno. Outros 16 partidos tiveram candidatos disputando pelo menos uma prefeitura em 20 estados. Onze partidos disputaram apenas o primeiro turno

5. O DEM livrou-se da trajetória rumo à extinção com a conquista de duas capitais no Nordeste, Salvador e Aracaju.

6. Comparando-se à população de prefeituras comandadas pelos partidos em 2008 e agora, o PSB é, de novo, o que mais destaca, com um crescimento expressivo: na última eleição, o partido ganhou prefeituras de cidades com um total de mais de 10,8 milhões de habitantes e agora, governará para 20,9 milhões.

7. E o PSD na sua primeira disputa, levou 498 prefeituras.

Lideres tucanos propõem mudanças e fazem criticas internas. E o PT se volta para o PSB, de Campos,e quer atrair o PSD, de Kassab

O dia seguinte: no PSDB mudanças internas e no PT planos para ampliar as bases
"Urnas deram uma mensagem" Lideranças do PSDB estão defendendo uma renovação partidária após a derrota em São Paulo, inclusive com mudança no discurso além da retomada de bandeiras históricas, como a defesa da ética e da seriedade administrativa. Com isso, avaliam, novos nomes para a disputa de futuras eleições. Para Álvaro Dias, líder no Senado, as urnas passaram uma "mensagem" ao Partido sobre a necessidade de um discurso "claro e veemente", contra o "estilo de governar" do PT.

E observa que o discurso tucano está morno e insosso. E defende outra posição: “temos que contribuir para ressuscitar a indignação neste País.” Ele fala também sobre o julgamento do mensalão e “as pessoas não estão nas ruas (para protestar)", avaliou. E acrescenta: “"Somos a menor oposição na história do País. Em todo o continente latino americano, nós somos a menor oposição", ressalta. E atribui o fato à política de alianças praticada pelo governo federal.

Covas Neto
O vereador eleito em São Paulo e filho do ex-governador falecido Mario Covas, Mario Covas Neto, também defende a necessidade de renovação no discurso e em algumas práticas do PSDB que, na visão dele, se distanciou da ideia que deu origem à agremiação. "Você pode perder uma eleição, mas não o discurso. Tem que ter posicionamento de ética e de seriedade pública sempre", afirmou.

Mario Covas Neto: "Você pode perder uma eleição, mas não o discurso.”
Para Covas, o processo de "reciclagem" do PSDB trará novos líderes "espontaneamente" ao partido. "Nossa questão maior é de posicionamento. Num processo de revisão interna, novas lideranças terão voz e aparecerão", afirmou.

E uma acusação
Aliado de Serra e articulador de sua campanha, o senador Aloysio Nunes Ferreira disse que a derrota se deveu a "negligência política" do PSDB. E questiona: "Por que o resultado adverso? Porque a ação administrativa não foi acompanhada da luta política, da articulação coma base na sociedade, com o distanciamento da população e a burocratização da estrutura partidária", afirmou.

O senador diz ainda que, em bairros da capital paulista onde o prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin fizeram obras e "ações de qualidade", Serra perdeu para Haddad. "Eu faço autocrítica ao meu partido. Não relaxamos um segundo na oposição à prefeita Marta Suplicy, coisa que não fizemos depois."

Sobre o governo de Fernando Haddad, o senador tucano disse que a "principal contribuição" do PSDB à sua gestão será a cobrança constante. "Faremos uma fiscalização rigorosa" Mas afirmou que o PSDB não pode "subestimar o valor do adversário", embora questione o poder do "novo" nas eleições deste ano.

PT quer Kassab no seu palanque -PT busca PSD
Enquanto isso, o PT planeja atrair o PSD, partido criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para o palanque da presidente Dilma Rousseff, em 2014. E, manter as alianças com os partidos da base de apoio do governo federal, inclusive o PSB, que teve disputa acirrada com candidatos petistas na eleição municipal deste ano. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, confirma o interesse em buscar adesão do PSD: “Evidentemente que, quanto mais ampla puder ser a aliança, dentro do programa que a gente defende, melhor. Se o PSD todo vier, será bem vindo.”

E o PSB também
Diante do PSB, o dirigente do PT diz que irá trabalhar para "destensionar" a relação com os socialistas depois das disputas nas cidades de Belo Horizonte, Recife e Fortaleza.

Base de Haddad
Fernando Haddad pretende manter em seu secretariado a base de apoio do governo da presidente Dilma Rousseff. O prefeito eleito, no entanto, disse que ainda não tem nomes para compor seu primeiro escalão e que aceitará "sugestões de currículos" de quem for. Para ele, São Paulo precisa de um "alinhamento estratégico com o governo do Estado e Federal" e, para isso, precisa "fazer uma transição de alto nível". E observa ainda que “a primeira providência é fazer um alinhamento estratégico com o governo do Estado e Federal. A transição de alto nível entre a administração Kassab e a nossa administração é o que pretendemos também fazer com as parcerias com a União. A presidente já mandou que, na semana que vem, tenhamos uma rotina de trabalho com a nossa equipe de transição e com a equipe que ela vai constituir no plano federal”, disse.

Haddad disse que já estão agendadas reuniões com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com o governador Geraldo Alckmin e com o ministro do Planejamento Guido Mantega, todos a pedido da Dilma.

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