terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

FHC dá uma “sacudida” no PSDB mas mantém preferência por Aécio

Carlos Fehlberg



Ex-presidente abre o debate no Partido, mas mantém sua preferência por Aécio

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, provocou um debate interno no PSDB, ao reclamar da falta de disposição e entusiasmo da oposição para contrapor-se ao governo federal. No seu entender fazer oposição “tornou-se um ato de contrição, depois que o país entrou em uma fase de crescimento econômico a partir de 2004.”


O ex-presidente comparou a dificuldade enfrentada atualmente pela oposição com o período do “milagre” do crescimento econômico, durante o regime militar, apesar de agora a situação ser “infinitamente mais fácil e confortável” para os oposicionistas. E observou: “Só que falta o que antes sobrava, a chama de um ideal: queríamos reabrir o sistema político. Hoje, o que queremos? Ganhar as eleições? Mas para quê? Eis o enigma”, questionou FHC no artigo publicado no jornal “ O Estado de S. Paulo”.

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso/Foto: Carol Carquejeiro

Aécio, de novo
Para Fernando Henrique, o candidato “mais óbvio” do PSDB à sucessão presidencial em 2014 é o senador Aécio Neves por conta da “posição eleitoral dominante em seu Estado” e de “seu estilo de fazer política”. Mas fez ressalvas ao dizer que ele está em fase de teste e questionou se ele vai conseguir fazer com que seus discursos “saltem o muro do Congresso”. E indagou, num tipo de "provocação": “Ele vai se arriscar a dizer as verdades inconveniente, e aparentemente custosas eleitoralmente, para que o povo sinta que existe “outro lado” e confie nele para abrir perspectivas melhores?”

E Serra?
Quanto a José Serra, derrotado na disputa pela Presidência em 2010, observa que ele falhou ao se comunicar com a população. Em sua ótica, Serra adotou um discurso preso às demandas indicadas pelas pesquisas de opinião, em detrimento à suas convicções. “Se o candidato tivesse expressado com mais força as suas convicções, mesmo desconsiderando o que as pesquisas de opinião indicavam ser a demanda do eleitorado, poderia ter sensibilizado as massas”, apontou.

Admitiu, porém, que Serra é “mais conhecido e denso”, “amadurecido por êxitos e derrotas”, mas citou os problemas da campanha presidencial passada: isolamento, por conta das divisões internas do PSDB, e dificuldades para fazer alianças.

Fernando Henrique: “Só que falta o que antes sobrava, a chama de um ideal: queríamos reabrir o sistema político. Hoje, o que queremos? Ganhar as eleições? Mas para quê? Eis o enigma”.

Hora de eleger prefeitos

Visto por Fernando Henrique como o candidato “óbvio” à sucessão da presidente Dilma Rousseff daqui a dois anos, o senador tucano admitiu algumas coisas: “É claro que reconheço isso como um estímulo a uma possível candidatura. Tenho conversado muito com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Suas análises são sempre, ou devem ser sempre, ouvidas e aprofundadas.” Mas estrategicamente disse que não está pensando em candidatura neste momento. Para ele o grande desafio de seu partido é se preparar para ter um bom desempenho nas eleições para prefeito deste ano. “A partir daí é natural que as conversas para 2014 comecem.”

Repercussão
Senador Aécio Neves concede entrevista/Foto: Márcia Kalume/Agência Senado
Chamado ao debate, o senador Aécio Neves disse que sente se estimulado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a disputar as eleições presidenciais, elogiou as análises do líder tucano sobre o papel do PSDB, mas divergiu da avaliação de que a oposição está “rouca”.

E foi mais longe: “É claro que reconheço isso como um estímulo a uma possível candidatura. Tenho conversado muito com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Suas análises são sempre, ou devem ser sempre, ouvidas e aprofundadas.” E admite que a experiência do ex-presidente é sempre uma referência para o PSDB.

Reservado, porém, tentou mostrar que não está pensando em candidatura neste momento, embora no ano passado já tenha se declarado pronto para ser o candidato tucano... “Em primeiro lugar eu não sou candidato em 2014. Essa questão de definição de candidaturas não está colocada”, disse ele em Belo Horizonte.


Segundo o senador, o grande desafio de seu partido é se preparar para ter um bom desempenho nas eleições para prefeito deste ano. “A partir daí é natural que as conversas para 2014 comecem.” Mas logo deixa claro que concorda com a orientação do ex-presidente de que os tucanos busquem um discurso que sirva de contraponto ao do governo federal. Mas rejeitou o ponto de vista do ex-presidente para quem as vozes oposicionistas estão com “decibéis insuficientes para comover as multidões” e “roucas”.

E mais
Para Aécio a presidente Dilma Rousseff desperdiçou a maioria que tem no Congresso ao não enviar em seu primeiro ano de governo nenhum projeto de reforma, Nas suas críticas ao início do governo de Dilma criticou a capacidade de gestão da presidente e as medidas para reverter o processo de desaceleração da indústria. “Nós perdemos o primeiro ano de governo sem que nenhuma reforma estrutural tenha sido enviada ao Congresso, sequer para discussão. E o governo tem uma maioria extraordinária”, disse Aécio após reunião em Belo Horizonte. E aproveitou para pedir projetos de reforma política, tributária, da Previdência e do Estado brasileiro.

Admitiu ainda sobre a política de redução de juros que ela poderia ser mais incisiva de redução. E atacou o que chamou de “processo gravíssimo de desindustrialização no Brasil.

Herzog
Para autoridades do governo federal, a Comissão da Verdade deveria convocar para depor Silvaldo Leung Vieira, autor da imagem do jornalista Vladimir Herzog morto numa cela do DOI-Codi, em São Paulo, em 1975. Reportagem publicada ontem pela Folha, Silvaldo diz ter sido "usado" pela ditadura para forjar a cena de suicídio de Herzog, que, segundo testemunhas, morreu após ser torturado.” O depoimento reforça as contestações da versão oficial feitas por historiadores, parentes e testemunhas.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ser "absolutamente natural que fatos como esse sejam investigados pela comissão". Para o coordenador do projeto do governo federal Direito à Memória e à Verdade, Gilney Amorim Viana, o depoimento de Silvaldo à Comissão da Verdade poderá ajudar a identificar os responsáveis pela morte de Herzog e pela montagem da cena. Para ele, o fotógrafo é "uma testemunha independente", que "pode atestar que aquele cenário foi montado". "Ele quebra toda a versão da repressão", disse.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, liberou, no dia 1º de fevereiro, para votação no plenário do tribunal os processos que poderão definir a validade da Lei da Ficha Limpa para as eleições deste ano. Agora o julgamento depende do presidente do STF, ministro Cezar Peluso. A sessão que abordava a aplicação da ficha limpa foi interrompida em dezembro do ano passado por pedido de vista do ministro Toffoli, que justificou a necessidade de “refletir” melhor sobre o assunto. Antes, dois ministros.


Joaquim Barbosa e Luiz Fux, defenderam a constitucionalidade da lei, que impede a candidatura de políticos condenados na Justiça por decisão colegiada ou que tenham renunciado a cargo eletivo para escapar de cassação.

Os processos que serão analisados pelo STF foram apresentados pela OAB, pelo PPS e pela Confederação Nacional das Profissões Liberais. Em nota o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, afirmou que haverá uma mobilização para que o assunto volte a ser julgado antes da troca de comando na Presidência do STF, que ocorrerá em abril deste ano.

Reação a Kassab
Enquanto isso, o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres, defendeu o papel da oposição no Brasil e criticou aqueles que "quiseram acabar com o DEM", numa referência ao PSD, partido criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Para ele, apesar da tentativa de acabar com a legenda, o DEM resistiu na oposição graças aos votos dos eleitores de todo o Brasil. Demóstenes argumentou que o DEM não se abrigou "na sombra do poder".


A declaração foi feita em discurso durante o Primeiro Seminário de Preparação de Candidatos, promovido em um hotel da capital paulista. Seu nome é lembrado no DEM como candidato à sucessão presidencial. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também participou do evento. O PSDB tem dialogado com o DEM em nome do apoio de um candidato tucano à sucessão da Prefeitura de São Paulo.

Horário de verão
O Projeto de Decreto Legislativo, em análise na Câmara, convoca um plebiscito para decidir sobre a adoção do horário de verão no País. Segundo a proposta, do deputado João Campos, o eleitorado seria chamado a responder “sim” ou “não” à pergunta: “Você é a favor da adoção do horário de verão no território brasileiro?”

A proposta prevê que, no caso de a população se manifestar contra o horário de verão, caberá à Presidência da República editar decreto revogando a medida ou ao Parlamento aprovar projeto de lei com essa finalidade. A consulta seria realizada pela Justiça Eleitoral. O projeto faculta à Justiça Eleitoral veicular campanha sobre o assunto nos meios de comunicação, destinando o espaço às manifestações favoráveis e contrárias.


João Campos reconhece, no entanto, a importância da redução no consumo de energia, principalmente entre as 19 e as 20 horas, quando o uso de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores atinge seu ápice. “De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), essa economia fica entre 4% e 5% do consumo de energia no horário de pico durante os meses do horário especial”, afirma o parlamentar. O projeto será analisado por várias comissões.

Ex-ministro Negromonte: "O maior problema foi que, além do fogo inimigo, houve o fogo amigo contra mim”.

Novo nome
O governo definiu o nome da professora Eleonora Menicucci de Oliveira, pró-reitora de Extensão da Universidade Federal de São Paulo, para substituir a ministra Iriny Lopes na Secretaria Especial de Políticas para Mulheres. Iriny Lopes vai se afastar do ministério para se dedicar à pré-candidatura a prefeita de Vitória pelo PT. É a primeira a se desincompatibilizar depois de Fernando Haddad.

Ministra
A socióloga, professora e pró-reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Eleonora Menicucci de Oliveira, vai substituir a atual ministra Iriny Lopes no comando da Secretaria de Políticas para as Mulheres. O Palácio do Planalto confirmou o nome de Eleonora para o cargo. Em nota divulgada há pouco, a presidente agradece "a dedicação de Iriny Lopes ao longo desse período" e deseja boa sorte nos futuros projetos da ministra que deixa o cargo.

Casa da Moeda
O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, protocolou na tarde de ontem um requerimento de convite para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, falar sobre as denúncias envolvendo a Casa da Moeda, após o presidente do órgão ser demitido.

O requerimento foi protocolado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e deve ser lido na reunião da comissão. No mesmo requerimento, os tucanos também pedem que o ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci, demitido no fim de janeiro, fale sobre as denúncias.

Contribuinte com mais de 65
Pessoas a partir de 65 anos de idade poderão ser dispensadas de pagar imposto de renda sobre rendimentos de qualquer espécie até o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social - atualmente fixado em R$ 3.916,20. A medida consta de substitutivo do senador Lindbergh Farias elaborado a partir de projeto de Paulo Paim em exame na Comissão de Assuntos Sociais, que se reúne amanhã.


A legislação atual já prevê a isenção de imposto de renda para aposentados e pensionistas com mais de 65 anos, até o teto da Previdência Social, seja a aposentadoria ou pensão paga pela União, estados, municípios ou por entidade de previdência privada. Com a proposição, Paim quer estender a isenção a todos os brasileiros que completarem 65 anos, sejam eles aposentados ou não.

Após o exame na Comissão de Assuntos Sociais, a matéria segue para a Comissão de Assuntos Econômicos, onde será votada em definitivo, segundo a agência Senado.

Negromonte
Um dia depois de ter deixado o Ministério das Cidades, Mário Negromonte atribuiu a demissão à divisão do partido e disse sentir "alívio" por não ser mais ministro. "O maior problema foi que, além do fogo inimigo, houve o fogo amigo contra mim”, disse o ex-ministro, que se diz mais satisfeito agora do que quando foi nomeado, no início do ano passado: "Agora o meu sentimento é de alívio. Neste momento, estou mais satisfeito de ter saído do ministério do que de ter entrado”, declarou, ressalvando ter sido "uma honra" cumprir a "missão" à frente do ministério.

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