Senado e Câmara decidem debater a crise econômica

“Sistema Financeiro Internacional” é o tema e na Câmara ministros abordarão medidas do governo
A crise econômica será o tema da primeira audiência pública do semestre da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. A comissão vai começar a debater o tema "O Sistema Financeiro Internacional: do Pós-Guerra aos dias de hoje". Entre os convidados para o debate estão o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Makhtar Diop; o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva; o diplomata Paulo Roberto de Almeida, professor do Uniceub; e a secretária de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Tatiana Prazeres. Cinco outras reuniões já estão marcadas para as próximas semanas, mas dentro do ciclo de audiências sobre "Os Rumos da Política Externa Brasileira", iniciado no primeiro semestre. A experiência dos espaços econômicos internacionais, como a União Europeia e a Área de Livre Comércio da América do Norte (conhecida pela sigla inglesa Nafta) será o tema da segunda audiência, no dia 15.

Na semana seguinte serão discutidas as negociações comerciais internacionais, com foco na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), com a presença de dois ex-ministros, Celso Lafer e Pratini de Morais. Mais tarde, semanas após, os senadores da comissão ainda debaterão temas como a crise econômica mundial de 2008, as dificuldades enfrentadas por economias europeias como as de Grécia e Portugal e o panorama do setor de energia em todo o mundo. Um dos convidados para esta última audiência, prevista para 19 de setembro, é o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli. Ao longo do primeiro semestre, foram realizadas oito audiências públicas dentro do mesmo ciclo, com a presença de 35 convidados.

Na Câmara também
Na Câmara Federal também haverá uma sessão de debates sobre a crise internacional. A comissão geral contará com a presença dos ministros da equipe econômica, que explicarão as medidas do governo para conter o impacto, no Brasil, da crise fiscal dos Estados Unidos e da Europa. Eles também deverão falar também sobre a nova política industrial. Deverão comparecer o ministro da Fazenda, Guido Mantega; da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante; e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, além de convidados indicados pelos partidos.
DEM x PSD

A Executiva Nacional do DEM entrou com representação na Procuradoria Geral Eleitoral solicitando que procuradores investiguem suposta falsidade ideológica em simulação de atas de diretórios municipais do PSD. O DEM tomou como base reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. Para o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia, há indício claro de falsidade ideológica com finalidade eleitoral. O DEM invoca o artigo 350 do Código Eleitoral que diz que é crime de falsidade ideológica omitir ou inserir "declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais". O crime é punido com reclusão de até cinco anos e multa.
Reações.

A senadora Kátia Abreu, que trocou o DEM pelo PSD, reagiu e criticou seu antigo partido, dizendo que “virou birra, coisa pessoal, ódio direcionado. A gente não fecha a porta para diálogo futuro”. Para a senadora, os integrantes do novo partido tem agido dentro da lei e toda a qualquer irregularidade ou falsificação, será sanada. No caso das atas iguais, ela defende que quem copiou, responda na Justiça: “Não autorizamos ninguém a cometer crime ou fraudar. Quem fez deve ser punido. Queremos o partido legal, é o nosso futuro. Este partido estará pronto para concorrer às eleições municipais.”

Nova frente: agricultura
O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno, anunciou que o partido vai pedir a convocação do ministro Wagner Rossi, da Agricultura, para explicar as acusações de que o lobista Júlio Fróes trabalhava em um escritório dentro da Comissão de Licitação do ministério. O partido deverá pedir também investigação de funcionários de confiança do ministro e admite entrar com uma representação no Ministério Público Federal contra os membros da Comissão de Licitação, por crimes previstos na Lei de Licitações.

As denúncias de que Fróes teria favorecido empresas em licitações do Ministério da Agricultura foram feitas pela revista "Veja". Rossi compareceu a audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara, na última quarta-feira, quando negou irregularidades em pagamentos feitos pela Conab. O ministro optou, agora, pela demissão do secretário-executivo da pasta, Milton Ortolan, que foi apontado em reportagem da revista como a pessoa que abriu as portas do ministério para o lobista Júlio Fróes.

Rossi também deverá determinar a apuração da denúncia de que o lobista atuava com desenvoltura no Ministério da Agricultura, onde teria até uma sala para despachar. Em nota oficial, o ministro da Agricultura negou que o lobista Júlio Fróes seja “amigo” dele e informou que irá acionar a CGU para apurar as condições de contratação da entidade ligada ao lobista:“Nunca participei de reunião com este senhor. Não desfruta de minha amizade nem de minha confiança. Reafirmo: não é meu amigo”, diz a nota. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Milton Ortolan, aliás, pediu demissão do cargo. Ele tomou a decisão após a publicação de reportagem.

DNIT
A presidente Dilma Rousseff indicou um oficial general do Exército e um auditor da Controladoria-Geral da União para as duas principais diretorias do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O diretor-geral, o general Jorge Ernesto Pinto Fraxe, era diretor de Obras de Cooperação do Exército.


Dilma e Amorim se reúnem com chefes militares e a posse deverá ocorrer hoje

Lula dá seu apoio e o presidente do PSDB considera escolha inadequada


A presidente Dilma Rousseff reuniu no fim de semana os comandantes das três Forças Armadas, no Palácio da Alvorada, reafirmando que não existia motivo para preocupações, diante da mudança no Ministério da Defesa. O encontro ocorreu sábado, pouco antes dela viajar para a Bahia. O novo ministro da Defesa, Celso Amorim, deverá tomar posse hoje, mas já teve também um encontro com os comandantes. Amorim gostou da primeira reunião que manteve com os comandantes em Brasília. Participaram do encontro o general Enzo Peri (Exército), o brigadeiro Juniti Saito (Aeronáutica), o almirante Júlio Soares de Moura Neto (Marinha) e o general José Carlos De Nardi (Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas).

Foi uma oportunidade para cada um dos comandantes falar sobre sua área, questões que serão aprofundadas em reuniões nos próximos dias. Amorim, também esteve com Dilma, no Palácio Alvorada colhendo orientações. "Não vou reinventar a roda. Vou trabalhar para implementar as ações e as diretrizes constantes da estratégia nacional de defesa", disse Amorim no encontro. Durante a reunião, cada comandante relatou as questões mais relevantes de suas áreas, inclusive os cortes orçamentários. Amorim voltará a se reunir separadamente com cada comandante.
O novo ministro considerou “produtiva” a reunião com os comandantes das Forças Armadas, no Palácio do Planalto, em Brasília. Questões envolvendo cada área serão aprofundadas em reuniões bilaterais a serem marcadas nos próximos dias.

Lula apoia
O ex-presidente Lula aprovou a escolha de Celso Amorim para comandar o Ministério da Defesa. Na sua visão, ao nomear o ex-chanceler para o cargo, a presidente Dilma Rousseff demonstrou confiança no diplomata e na sua capacidade de gestão em uma área delicada. “Penso que, quando a gente analisa a competência intelectual, a competência de homem de Estado, há poucos iguais a ele no Brasil. Ele está qualificado para ocupar qualquer pasta”, avaliou.

Demissões
Ao falar sobre a demissão de três ministros em sete meses (além de Jobim, saíram Alfredo Nascimento, dos Transportes; e Antonio Palocci, da Casa Civil), Lula não considerou o número alto. “Às vezes, pode sair até mais. É sempre assim. Quando você vai tirar um ministro e toma a decisão, é tudo muito sofrido. Mas, quando chega a época das eleições, aparecem 30 para pedir para sair e ninguém questiona. O Brasil está preparado para qualquer coisa”, argumentou.
Assessor especial do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, o ex-deputado federal José Genoino não tem situação definida na pasta e aguarda uma conversa com o novo titular, Celso Amorim, para discutir seu futuro.

Aliviado
O ex-ministro Nelson Jobim se disse "aliviado" depois de deixar a Defesa: "É página virada". No sábado, ele saiu de seu apartamento na Asa Sul de Brasília para fazer caminhada ao ar livre e saiu após o almoço com uma missão: reativar seu escritório de advocacia na capital.

Maia aprova
Para o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, "terá melhores condições de ajudar na construção dos acordos necessários para aprovação e implementação da Comissão da Verdade". E destacou que, mesmo depois de aprovada, será preciso trabalhar para levar adiante a investigação de temas ainda obscuros da ditadura militar.

"É uma matéria polêmica, complexa, que vai necessitar de muita diplomacia. A diplomacia do Celso Amorim pode contribuir para que saia do papel e se transforme em realidade", observou Maia. Em relação ao ministro da Defesa Nelson Jobim, Maia disse que ele foi traído pelo seu próprio estilo, "mais polêmico e mais desprendido" no cuidado com as palavras. "Não era o estilo mais adequado para o papel que ele desempenhava neste momento", disse o presidente da Câmara.


Reação no PSDB
O presidente nacional do PSDB, o deputado federal Sérgio Guerra, considerou a escolha do ex-chanceler Celso Amorim para substituir o comando do Ministério da Defesa "completamente inadequada". E diz que ele não aparenta ter perfil ou vocação para atuar à frente da pasta: "Para mim, não me parece uma pessoa voltada para isso ou vocacionada para essa tarefa", afirmou. E aproveitou para elogiar o ex-ministro Jobim, considerando que ele "não cabia" no atual governo federal: "Ele tem um grau de competência, de firmeza e uma qualidade que não é típica na equipe ministerial da presidente Dilma Rousseff", assinalou. E negou que tenha convidado o ex-ministro para ingressar no PSDB, embora dizendo que as portas da sigla estão abertas ao ex-titular do Ministério da Defesa. "É evidente que ele seria muito bem vindo ao PSDB. O partido tem respeito e admiração por ele", acrescentou.


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