Nova crise econômica: Dilma diz que o Brasil está mais forte do que em 2008, mas não imune

Carlos Felhberg de Brasilia


Amorim toma posse e governo vive outro problema, agora na Agricultura
Encerrada a crise na Defesa as atenções se voltam para Agricultura e denúncias levariam ministro ao Congresso
Na cerimônia de posse do novo ministro da Defesa, Celso Amorim, a presidente Dilma Rousseff disse que o sucessor de Nelson Jobim é o "homem certo para o lugar certo" e que "a troca de comando faz parte da rotina". Elogiou Amorim, dizendo que ele é um "homem de Estado, funcionário de carreira" que irá dar continuidade aos projetos na pasta da Defesa. Dilma disse que as mudanças sempre provocam tensão e requerem cuidado. Na sua opinião tanto os homens do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, assim como o ex-ministro de Relações Exteriores, valorizam o "preparo técnico", o "coleguismo", a "moderação nas manifestações", o "profissionalismo" e o "respeito à hierarquia".

Caso da Agricultura
Nem bem superado o caso da Pasta da Defesa, o governo está às voltas com outro problema no ministério. A oposição está agora com o foco no Ministério da Agricultura, nos mesmos moldes da feita na área dos Transportes. Tudo começou a partir da queda, no fim de semana, do secretário executivo da pasta, Milton Ortolan, diante das comprometedoras revelações de suas ligações com o lobista Júlio Fróes e a revista “Veja” trouxe ampla reportagem.


O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, protocolou requerimento na Comissão da Agricultura para ouvir três envolvidos em supostas irregularidades no Ministério da Agricultura. Pretende ouvir Milton Ortolan, ex-secretário do Ministério da Agricultura, Oscar Jucá Neto, ex-diretor financeiro da Conab e o lobista Júlio Fróes: “Queremos ouvir os três sobre as denúncias de corrupção. Agora precisamos aguardar a votação do pedido na comissão”, disse o líder do PSDB. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Milton Ortolan, pediu demissão após a publicação de reportagem da revista "Veja", mostrando que o secretário tinha relações com um lobista.


O ministro da Agricultura Wagner Rossi voltará a depor, agora na Comissão de Agricultura do Senado.


O PSD vai além e estuda ações conjuntas de deputados e senadores no Ministério Público pedindo a investigação sobre as novas acusações envolvendo o ministério. E o PPS também já avisou que estuda entrar com outra representação semelhante. Pretende, por isso, acertar com o DEM e com o PSDB para definir uma estratégia comum. Sobre as denúncias, , o ministro respondeu por meio de nota que desconhecia qualquer irregularidade e que não era “amigo” do lobista Júlio Fróes. E pretende ingressar junto a CGU com pedido para apurar as condições de contratação do Ministério. Wagner Rossi também vai participar de uma audiência na Comissão de Agricultura do Senado.


O PSDB, aliás, admite ingressar com ações conjuntas de deputados e senadores no Ministério Público visando apurar as novas acusações: “Queremos é esclarecer o que está acontecendo. Vamos entrar com outro pedido de convocação do ministro. Nós, da oposição, vamos nos reunir com lideranças e presidentes dos partidos, ainda sem data, mas será nesta semana para definir a nossa estratégia de ação contra estas graves denúncias”, anuncia o líder do PPS, deputado Rubens Bueno. Mas há mais: o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres ainda pretende propor uma CPI visando investigar denúncias de corrupção nas diferentes esferas do governo. O problema, porém, é conseguir o número exigido de assinaturas.

Ministra do STF se aposenta
A aposentadoria da ministra Ellen Gracie do Supremo Tribunal Federal foi publicada ontem. A expectativa é que ela seja substituída por uma mulher, falando-se na juíza brasileira do Tribunal Penal Internacional, Sylvia Steiner.

Haddad em campanha
O ministro da Educação e pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo Fernando Haddad é de opinião que o PT indique um "nome novo" nas próximas eleições municipais, seja ele ou não. Mas a senadora Marta Suplicy, que tem aspirações diz que o PT precisa de um candidato com "raiz na cidade". Eles estiveram num debate preparatório do PT para as eleições municipais. Eduardo Suplicy e os deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zarattini estiveram também no encontro.

Reforma política
O PT lançou no fim de semana, a campanha pela reforma política em que o ponto central será o financiamento público das campanhas eleitorais. O relator da reforma na Câmara, deputado Henrique Fontana, na reunião do Diretório Nacional, expôs o anteprojeto que apresentará à comissão especial nos próximos dias.

Itamar
Será hoje a sessão solene conjunta do Congresso Nacional no plenário do Senado para reverenciar a memória do senador e ex-presidente da República Itamar Franco.

PSD impugnado
O Ministério Público em S.Paulo solicitou a impugnação do PSD. Pelo pedido impetrado no TRE haveria indícios de duplicidade na contagem de assinaturas nas listas de criação do novo Partido, em 56 zonas eleitorais.


Ministro da Fazenda adverte sobre a influência no crescimento no país
Para a presidente Dilma Rousseff o Brasil está mais forte do que em 2008 e 2009 para enfrentar a crise econômica internacional, mas não está imune aos efeitos da turbulência. Ela também critica o rebaixamento da nota de crédito soberano dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard&Poors, que deu dimensão à crise, afirmando que todas as avaliações apontam que ela errou, dizendo “que não se pode num momento desses tomar atitudes dessas, que não têm base real”. Dilma deixou clara sua preocupação no encontro com o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper.

O estopim
A agência de avaliação de risco S&P reduziu a nota da dívida pública dos Estados Unidos, surpreendendo. A qualificação do crédito americano de longo prazo passou da nota máxima "AAA" para "AA+", em função da crescente dívida e do déficit no orçamento. A consequência imediata: os mercados mundiais operaram em baixa ontem no primeiro dia de negociações após o rebaixamento da nota. Dilma observa, a propósito, que o Brasil está hoje em situação muito mais sólida do que estava em 2008: “Nós temos certeza de que o Brasil está mais forte, porque temos mais reservas internacionais do que tínhamos. Estamos com US$ 348 bilhões.


Os nossos bancos estão sólidos. Nós temos também depósitos compulsórios suficientes para fazer a qualquer problema de crédito. Os bancos privados e públicos estão completamente robustos: não tiveram problemas em 2008 e 2009 e continuam não tendo, por que fizemos uma política muito sóbria no que se refere a mecanismos financeiros", observou a presidente. Alertou, porém, que apesar da boa posição, não significa que estamos imunes à crise: “Para a gente ser imune à crise é preciso a ação do governo dos empresários e da sociedade.


Uma ação de seriedade, muita firmeza e sobretudo de percepção de que não podemos brincar e sair por aí gastando o que não temos. Temos de continuar consumindo o que estamos consumindo, não temos de parar de consumir porque não passamos por nenhuma ameaça, mas temos de aquela posição de não acreditar que vivemos numa ilha isolados do mundo. Não significa de nenhuma forma que estamos fragilizados. Não estamos. Isso é reconhecido internacional e nacionalmente.”

E faz um apelo
A presidente aproveitou para fazer um apelo: “Gostaria de pedir a todos os segmentos do país muita tranquilidade, muita calma e nenhum excesso.” E assegurou que o Brasil tem um mercado interno forte e está agindo para que "práticas de concorrência desleal" não afetem a economia nacional. Disse também que novas medidas econômicas poderão ser tomadas para enfrentar a crise, mas não de imediato. Dizendo que o governo será criterioso no seu posicionamento e sóbrio, pois cautela e observação são fundamentais, Dilma deixou clara sua posição: “Não temos necessidade de precipitação.” E crê em ações dos EUA e União Europeia.


E na sua entrevista no Palácio do Planalto, observou também que não é um momento para "brincar e sair por aí gastando o que não temos", porque o Brasil não é "uma ilha isolada no mundo" e não está "imune" às turbulências econômicas do mundo, mas o consumo deve continuar porque o país não passa por "nenhuma ameaça". E ainda acredita que os EUA e Europa se recuperem, para que voltem a consumir como antes. A crise internacional foi, também, tema da reunião de coordenação de governo, ontem, com participação da presidente Dilma, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez uma avaliação da conjuntura internacional.

Reflexo
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda ontem, O Ibovespa acompanhou o movimento internacional e fechou com queda de 8,08%, aos 48.668 pontos. É o menor patamar de fechamento desde 30 de abril de 2009.

Posição do PT
O PT divulgou no site do partido a resolução política aprovada na reunião do diretório nacional do partido, realizada no fim e semana no Rio de Janeiro. Intitulado "O Brasil frente à crise atual do capitalismo: novos desafios", o documento atribui ao "ideário e ao programa neoliberal" a crise econômica e o desemprego nos Estados Unidos e na Europa, afirmando que o Brasil construiu uma "alternativa ao neoliberalismo".

Obama reage
O presidente americano, Barack Obama, tentou transmitir ontem mensagem de confiança aos americanos dizendo que os problemas econômicos do país "têm solução iminente". No seu discurso minimizou a posição da agência Standard & Poors: "Não precisamos de uma agência para nos dizer que temos de fazer. Os Estados Unidos sempre foram e sempre serão um país AAA", disse Obama. E reafirmou a proposta democrata para a taxação dos mais ricos como meio de redução do déficit, que não foi aceita no plano acordado com os republicanos na última semana, durante as negociações para a elevação do teto da dívida. Segundo Obama, "não há muito espaço para corte" em gastos sociais, como querem os republicanos. O presidente defendeu, ainda, a desoneração da folha de pagamento, "para colocar dinheiro no bolso dos trabalhadores e clientes nas lojas". E disse que parte da crise é consequência de problemas "que não podem ser controlados", como o terremoto no Japão, a subida dos preços do petróleo e a Primavera Árabe.

Aqui
A Bovespa fechou em forte queda ontem após o rebaixamento da nota de crédito dos EUA pela agência Standard and Poor’s. Seguiu o movimento internacional e fechou com queda de 8,08%, aos 48.668 pontos. A bolsa brasileira registrou nesta segunda o menor patamar de fechamento desde 30 de abril de 2009 e a maior queda diária desde 22 de outubro de 2008.

Sarney critica
Para o presidente do Senado, José Sarney, o Congresso dos Estados Unidos deu um péssimo exemplo ao mundo com as dificuldades impostas para aumentar o teto da dívida daquele país. Na opinião de Sarney, o aumento do limite da dívida era um episódio rotineiro perfeitamente possível de ser aprovado, não fosse "a volta de um fóssil chamado Tea Party".


Em entrevista, Sarney foi indagado sobre a maturidade demonstrada pelo Congresso brasileiro no enfrentamento de crises como essa. Ele respondeu referindo-se ao Tea Party, o movimento lançado por conservadores que lutam contra as reformas conduzidas por Barack Obama, por considerá-las socialistas demais: “Eu acho que o nosso exemplo é que, em todos os momentos de dificuldade do país, nós temos encontrado um terreno comum no qual nós protegemos os interesses do país e abandonamos essa luta dilacerante de partidos. Assim foi na Independência, assim foi na República, assim foi em 1930 e assim foi em 1985.” Indagado se esse seria o risco do bipartidarismo, Sarney afirmou: “ Esse é o risco da radicalização que, nos Estados Unidos, aconteceu com a volta de um fóssil chamado Tea Party.”


E acrescentou: “Eu acho que os americanos deram um péssimo exemplo porque, na realidade, o estabelecimento do teto da dívida era uma coisa automática na votação do orçamento. Eles fizeram isso 77 vezes durante 50 anos e, no momento, por uma luta política, visivelmente já com os olhos na eleição do ano que vem, eles ofereceram ao mundo esse vergonhoso exemplo em que os partidos políticos sacrificam o país. Acho que é um exemplo nada construtivo e eles estão pagando caro por isso.”


Para o presidente do Senado, essa foi uma crise artificial, que realmente produziu uma consequência assustadora. Em sua opinião, essa consequência deveria ter sido mais bem avaliada, porque, em razão dela, hoje a Europa já está enfrentando sérias apreensões, principalmente com os riscos de liquidez enfrentados por Grécia, Irlanda, Itália e Espanha.

CNI adverte
E a indústria nacional logo advertiu para as consequências: “O Brasil deve sentir os efeitos da crise que os Estados Unidos e a Europa estão enfrentando”, diz o economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco. E essa turbulência internacional irá reduzir a demanda por produtos brasileiros, e ainda observou: "Isso pode acarretar perdas ainda maiores de mercado para os produtos brasileiros no exterior e dificuldades no mercado interno, devido ao crescimento das importações".


Para o economista, o foco do governo deve ser na redução da inflação e na manutenção do nível de atividade econômica: “A preocupação no momento não deixa de ser com a inflação, mas, sem dúvida, a turbulência no cenário internacional puxa o foco da preocupação maior para a manutenção do nível de atividade", acrescentou.
Alguns dados mostram como foi o reflexo da crise ontem nos mercados: dólar subiu 1,96%, a Bovespa fechou com queda de 8, 08%. E o ministro da Fazenda, Guido Mantega alerta para a influência negativa da crise no crescimento.

Comentários

Postagens mais visitadas