Jobim fala hoje, Lula diz que Dilma só não será candidata se não quiser e Jucá vive uma surpresa

Carlos Fehlberg


E ainda: Carvalho assegura que o governo vai apurar todas denúncias


A semana política começa com surpresas e expectativas. O ministro Nelson Jobim é o convidado hoje do programa "Roda Viva", da TV Cultura, ele que esteve em evidência há poucos dias, quando declarou que votou em Serra na campanha passada. Lula já abordou o fato e disse que nunca se preocupou em perguntar aos seus amigos em quem votam, “o voto é sagrado e cada um vota em quem quer. O Jobim não foi convidado para o meu governo por causa do voto dele." Há poucos dias, Jobim disse em entrevista ao programa “Poder e Política”, realizado pela Folha e o portal UOL que a presidente Dilma já tinha conhecimento de seu voto, mas o fato é que a declaração repercutiu diante também de um antecedente na homenagem do Senado ao ex-presidente Fernando Henrique, interpretado como sinal de insatisfação. Ele elogiou o estilo conciliador do ex-presidente de quem também foi ministro, observando à certa altura: "E nós precisamos ter presente, Fernando, que os tempos mudaram." E citou Nelson Rodrigues: "Ele dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento". Sua intervenção surpreendeu, repercutiu, mas não gerou polêmica na hora.




Ministro da Defesa Nelson Jobim e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva/Foto: Wilson Dias/ABr

Jucá visado
Outro fato político deste início de semana: o líder do governo no Senado, Romero Jucá, foi surpreendido com reportagem de “Veja” envolvendo seu irmão, Oscar Jucá Neto. E disse que apenas indicou o irmão para a Conab mas que, diante dos problemas, concordou com sua saída da empresa e garantiu que não sabia do teor da entrevista. À "Veja", Jucá Neto disse que há esquema de corrupção na Conab e que o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, estaria envolvido. O senador Romero Jucá, porém, reagiu e disse que discordava das informações e lamentava essa posição: “Estou envolvido involuntariamente e lamento. Mas o cargo de líder é de confiança da Presidente”, acrescentou Jucá.

Demitido da direção da Conab, Oscar Jucá Neto decidiu fazer denúncias. O ministro da Agricultura, Wagner Rossi logo negou as acusações de que haveria um consórcio entre o PMDB e o PTB para controlar a estrutura do ministério visando vantagens. O PPS, porém, já anuncia que vai entrar com uma Proposta de Fiscalização e Controle na Câmara pedindo que o Tribunal de Contas da União apure o suposto (e denunciado) esquema de corrupção no Ministério da Agricultura: "Essa denúncia é gravíssima. As evidências de ilícitos são fortes, o que requer a apuração imediata da parte do TCU", disse Rubens Bueno, líder do PPS na Câmara.


Apuração total

O secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho assegurou aos dirigentes do PT que o governo vai apurar todas as denúncias que surgirem, envolvendo o governo. Carvalho foi claro: “a presidenta nos orienta para que nenhuma denúncia fique sem averiguação ou da CGU (Controladoria Geral da União) ou de algum órgão de controle interno. Tudo isso vai ser verificado.” Reunido com líderes da chapa de maioria do PT, a "Partido que Muda o Brasil", Carvalho afirmou que a chamada faxina da presidente Dilma Rousseff não é uma "caça às bruxas", mas que o governo deverá "ir para cima" dos casos de denúncia de corrupção.



Lula, Dilma e Serra...

O ex-presidente Lula garante que só uma hipótese de Dilma não ser candidata à reeleição: ela não querer. O Serra está preocupado com a candidatura dele e não consegue nem resolver os problemas internos do PSDB, diz Lula a propósito de declaração do tucano, prevendo a sua volta como candidato em 2014. Lula também lamentou e aproveitou para dizer que a oposição torce para o governo não dar certo.


E no Transporte..


O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, está convencido de que está fazendo "a coisa certa", ainda que contrarie seu partido, o PR, nas demissões no Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes, o Dnit: “Acho que estou fazendo a coisa certa no Ministério dos Transportes. Se acho que estou fazendo a coisa certa, vou continuar fazendo”, observou. Ele já se prepara, também, diante da possibilidade de ser convocado ou convidado pelo Congresso Nacional para prestar esclarecimentos sobre o esquema, no Ministério, de superfaturamento e cobrança de propinas, segundo denúncia. Enquanto isso a oposição deverá se organizar para aprovar requerimento de convocação em comissões permanentes da Câmara e do Senado.


Para evitar a paralisação completa do Dnit, que perdeu seis de seus sete diretores desde o início da crise, o governo anunciou que editaria um decreto autorizando o Conselho Administrativo do órgão a designar, em condições excepcionais e transitórias, substitutos para atuar até a nomeação da nova diretoria do órgão. Os nomes dos novos diretores do Dnit já começaram a ser submetidos à presidente Dilma Rousseff e as indicações serão encaminhadas ao Senado já no início da próxima semana.


"Nós estamos vivendo uma situação atípica no Dnit, depois das demissões ocorridas. Até que o novo time de diretores seja nomeado, precisamos garantir as condições de funcionamento do órgão", explicou Passos, ao anunciar a edição do decreto.

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