Lula e Dilma reúnem bases e traçam estratégias. Serra debate com aliados

Carlos Fehlberg
Definidas linhas de ação, mas o PV e Marina continuam visados
O presidente Lula reeditou uma estratégia que adotou logo após a confirmação de um segundo turno na campanha de 2006, quando buscando a reeleição, enfrentou Geraldo Alckmin. E, diante de um cenário semelhante, reuniu ontem no Palácio da Alvorada as lideranças aliadas. Desta vez o número pode ter sido maior, presentes que estavam governadores e parlamentares eleitos da base aliada. A conclusão era a esperada: reforçar a campanha para eleger a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Os governadores de dez estados, além de parlamentares eleitos e os ministros de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e de Planejamento, Paulo Bernardo, estavam presentes. O ministro Padilha revelou, mais tarde, que o Presidente pediu aos governadores eleitos que não “desmontassem as campanhas nos estados, mantendo a estrutura para fazer a campanha da candidata".
Mobilização
Em nome dos 10 governadores presentes ao encontro, Eduardo Campos, governador de Pernambuco, disse que os já eleitos que apóiam o governo vão se dedicar intensamente nos estados em apoio à candidata do PT: “Nós vamos participar das atividades, vamos colocar a campanha na rua, vamos andar, vamos colocar a nossa militância, nossos candidatos que ganharam, que perderam, para fazer atividade política, levando o debate e mostrar os dois projetos em discussão”, prometeu.
A avaliação feita pelos governadores eleitos e senadores é de que nos estados há um potencial de crescimento. Segundo o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a campanha de Dilma estuda ainda formas de aproximação com Marina Silva, buscando seu apoio.
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Uma decisão está acertada: os governadores eleitos que fazem parte da base aliada, além de deputados e senadores deverão trabalhar em busca de votos para a candidata petista, Dilma Rousseff, no segundo turno. Os comitês de campanha continuarão ativos: “Vamos manter toda a estrutura do primeiro turno para continuar a campanha”, assegurou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, ao sair de reunião no Palácio da Alvorada.

Ciro engajado
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, participou também de uma outra reunião com três governadores reeleitos, Marcelo Déda, Eduardo Campos e Cid Gomes, presente seu irmão, o deputado federal Ciro Gomes. “Ciro vai participar da nossa coordenação de campanha, e tenho certeza de que ele tem grandes contribuições para nos dar”, revelou Dilma. E Ciro confirmou: “Sou cabo eleitoral. Estou à disposição 100%. Minha tarefa é garantir a vitória lá no Ceará, onde ela tirou 66% dos votos, no primeiro turno”.
Ciro acredita, pelo que conhece de Marina Silva, que ela não deve anunciar apoio a nenhum dos dois presidenciáveis no segundo turno das eleições. “Eu sou uma das pessoas que tem talvez a maior proximidade, amizade, carinho e respeito por Marina”, disse o parlamentar. Se eu bem a conheço, ela não vai participar do processo do segundo turno. Estou falando por mim, não é nada da reunião”, disse ele, ao sair do Palácio da Alvorada.
Ciro estava acompanhado do irmão, o governador reeleito do Ceará, Cid Gomes. Para Cid, Lula deve a partir de agora, reforçar sua presença na campanha no Norte e Nordeste, regiões que o presidente e a candidata petista teriam visitado pouco.

Alvo é Marina
A coordenação da campanha de Dilma não vai desistir fácil e agora vai estabelecer um diálogo com os eleitores de Marina Silva: “Vamos conversar sim com a Marina. E não só com ela, mas também com organizações e entidades que a apoiaram. E também queremos estabelecer um grande diálogo com o eleitor da Marina”, anunciou.

Serra também reúne
Para reverter o favoritismo da petista Dilma Rousseff na corrida pelo Palácio do Planalto, o presidenciável do PSDB, José Serra, reuniu ontem aliados em seu escritório político na capital paulista. E nesta quarta-feira, ele deve se encontrar, em Brasília, com partidários eleitos no último domingo. Antes do encontro, ele disse a jornalistas que vai discutir os rumos de uma “campanha para frente”, na qual tentará ampliar sua votação nos colégios eleitorais onde venceu e diminuir a desvantagem em Estados populosos onde foi derrotado.
Participaram da reunião em São Paulo os presidentes do PSDB, Sérgio Guerra, e do DEM, Rodrigo Maia, os governadores eleitos de São Paulo, Geraldo Alckmin, e de Santa Catarina, Raimundo Colombo, além do candidato a vice, Indio da Costa, e os senadores eleitos Aloysio Nunes, Luiz Henrique da Silveira e Paulo Bauer. Também discutiu os rumos da campanha o presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen.

Em Santa Catarina
Serra vai organizar grandes encontros como o já programado para Brasília e disse que manterá também reuniões individuais com políticos que queiram apoiá-lo. Ele já acertou com Colombo uma visita a Santa Catarina neste fim de semana. “Vamos trabalhar o dobro e mobilizar as nossas bases”, disse o novo governador catarinense. Dissidente da maioria do PMDB, o senador eleito Luiz Henrique também afirmou que trabalhará por Serra depois de sua aliança com o DEM eleger 25 dos 40 deputados estaduais em Santa Catarina.
Serra reiterou que buscará o apoio de Marina Silva. Ele afirmou, porém, que a aproximação com ela tem de ser feita “sem força, sem nenhum constrangimento”.
Jefferson
Depois de declarar apoio ao presidenciável José Serra no primeiro turno das eleições e retirá-lo, declarando apoio ao candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, voltou a cogitar o apoio ao tucano no segundo turno da eleição. “Se Serra anunciar o fim do fator previdenciário e da reeleição pra presidente, e mínimo de 600 reais, o PTB vai com ele no 2º turno", disse Jefferson ontem no Twiiter.
Das três condições impostas pelo petebista, apenas uma, a do aumento do salário mínimo, já faz parte das propostas de Serra. O PTB é aliado nacional do PSDB, mas na reta final do primeiro turno, abandonou o tucano devido à falta de espaço dada ao seu partido.
Outra reunião
Lideranças dos partidos que apóiam a candidatura de José Serra à Presidência da República foram convocadas, também, para um evento em Brasília, hoje. Estarão presentes senadores, deputados federais e governadores. O encontro de principais líderes é intitulado "Todos com Serra, todos pelo Brasil". Lideranças do partido como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador Aécio Neves estarão presentes. A intenção dos tucanos é passar a imagem de unidade do partido em torno de Serra. Marisa Serrano, vice do PSDB, que organizou a reunião, disse que o objetivo é discutir as estratégias para o segundo turno. “Será um encontro fechado de lideranças. Só com senadores, deputados, governadores, presidentes de partido e não vai ser aberto. É para discutir estratégias e idéias”.
O vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, acredita que a campanha no segundo turno será mais participativa: “Vamos fazer uma mobilização que tem por objetivo motivar uma ação de campanha mais participativa de todos e mostrar unidade e entusiasmo, é uma largada do segundo turno. É para dar uma arrancada”.
Busca de maioria
Apesar de seus aliados terem diminuído nos governos estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado, José Serra, afirmou ontem que, se eleito, trabalhará para obter maioria política no país. Em visita a uma obra viária na região metropolitana de São Paulo, ele também criticou Dilma Rousseff.
“Sempre consegui formar maiorias estáveis com bases nos programas de governo”, afirmou Serra. “Tive minoria na prefeitura de São Paulo e governei”, disse o tucano.

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