Aécio e Itamar entram na campanha de Serra

Carlos Fehlberg

Tucanos se reúnem em Brasília e acertam as linhas da campanha

No encontro da oposição em Brasília, ontem, Aécio Neves, anunciou que depois da vitória em Minas está à disposição para a campanha de Serra. Ele defendeu na reunião que se bata na tecla de que o Brasil somos todos nós: Não teríamos o governo Lula se não tivesse havido o do Presidente FHC. Com o lançamento do Real e do Presidente que o consolidou. O Brasil não foi descoberto em 2003. Foi lá atrás com a redemocratização com Tancredo Neves, Vamos ter coragem de ir a todas as praças defender com Serra e teremos um governo menos excludente. Diante das críticas do PT às privatizações Aécio observou que “graças a elas a maioria dos brasileiros tem telefone celular. Querem falar das privatizações? Vamos falar delas.”
Reunião dos aliados da coligação que apoiam o candidato do PSDB traça a estratégia para o segundo turno.

Um dos oradores mais aplaudidos na reunião de Brasília foi o senador eleito, Itamar Franco. Ele criticou a postura de Lula de creditar ao seu governo todas as conquistas. “Ninguém inventou o Brasil porque daqui a pouco vão dizer que quem abriu os portos do Brasil não foi D. João VI, mas o presidente Lula.”
Aécio concluiu sua intervenção dizendo que se pretendeu dividir o Brasil em bons e maus como se fossem eles os bons e virtuosos. O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, garantiu ainda que as lideranças estaduais estarão mais empenhadas na campanha presidencial neste segundo turno.
Sem Lula...
A avaliação de Guerra é que a figura do presidente Lula “assombrava” aliados do PSDB nos estados e que agora, sem uma eleição estadual para disputar, as lideranças locais poderão se engajar na campanha de Serra: “As situações estaduais já foram resolvidas em grande parte. O fantasma do Lula está arquivado pra muita gente. O Lula não resolve mais nada no Nordeste. As eleições lá já estão resolvidas. O Lula assombrava os aliados porque é muita força, é um cara que a gente respeita numa campanha”, disse.
Serra fez uma avaliação semelhante. “Agora no segundo turno você está falando em boa parte com eleitos, que não têm mais angústias sobre o seu destino político. Aconteça o que aconteceu, eleitos ou não eleitos.”
Sobre um balanço do primeiro turno, Serra disse que “nós já conhecemos os nossos erros. Estamos cuidando agora dos acertos para progredir com eles”. Ele disse ainda que o clima da campanha "mudou totalmente" agora e que o programa eleitoral do segundo turno terá o tom de “animação, afirmação e identificação”.
A exemplo do que ocorreu com líderes catarinenses, Serra irá receber delegações de todos os estados. As próximas lideranças a se encontrarem com o presidenciável tucano deverão ser do Rio Grande do Norte, que elegeu Rosalba Ciarlini e do Pará, onde Simão Jatene irá disputar o segundo turno com a governadora Ana Júlia. O governador eleito em São Paulo, Geraldo Alckmin, disse, depois de deixar a reunião, que já entrou em contato com aliados do Piauí, Acre, Sergipe, Mato Grosso e Maranhão.
Presidentes na campanha
O candidato do PSDB à Presidência José Serra, se eleito irá apresentar uma proposta ao Congresso Nacional para regulamentar a participação de presidentes da República nas campanhas eleitorais. "O que vamos ter que fazer, junto com o Congresso Nacional, por incrível que pareça, será estabelecer os marcos da participação do chefe político nas campanhas. O que não fica estabelecido pelas normas e costumes, fica estabelecido em lei”, disse Serra. “Fui enfrentado por telemarketing gravado por presidente da República. Tem coisas que não se faz”, completou.
Elogios
Serra elogiou a postura de dois ex-presidentes: Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso que não estava presente no evento. Em seu discurso, o tucano destacou a importância da negociação de Fernando Henrique Cardoso com o FMI que, nas palavras dele, garantiu “segurança” para o governo seguinte, do atual presidente Lula.
Quanto a participação de Marina nas eleições Serra diz houve uma contribuição muito grande dada por ela. “Trata-se de uma pessoa íntegra e não tenho dúvida de que sua integridade foi um fator de contribuição muito grande para ela. A Marina é uma pessoa que contribuiu muito para a democracia”, comentou.
Coordenadores
A campanha presidencial de José Serra ganhou mais dois coordenadores nacionais: o senador eleito por São Paulo com mais de dez milhões de votos, Aloysio Nunes Ferreira e o presidente de honra do DEM, ex-senador Jorge Bornhausen.
Frustração
O presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, senador Demóstenes Torres não realizou a reunião marcada para a manhã de ontem porque não havia número suficiente de parlamentares na sala. Na sua opinião, o governo "boicotou" a reunião para evitar a votação de requerimentos com a convocação das ex-ministras da Casa Civil Dilma Rousseff e Erenice Guerra para esclarecer as denúncias de tráfico de influência. Demóstenes criticou a obstrução dos aliados do governo.
O vice-líder do PT, senador Eduardo Suplicy admitiu que partiu da Casa Civil orientação nessa linha. No entanto, fez questão de esclarecer que o comando não foi dado pelo atual ministro-chefe da pasta, Alexandre Padilha.

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