Dominguinhos: 70 Anos de um Mestre Sanfoneiro

Legitimado por Luiz Gonzaga (1912-1989) como seu real herdeiro musical, Dominguinhos completa 70 anos hoje, mais de 55 deles dedicados à sanfona e a toda a profunda musicalidade nordestina, a partir do legado do rei do baião. Depois de ter passado por um processo de desentupimento das veias, ele recuperou a saúde e tem muito o que comemorar.
José Domingos de Morais nasceu no dia 12 de fevereiro de 1941 em Garanhuns, no estado de Pernambuco.

Dominguinhos é conhecido muito além do baião e do forró, passando por diversos ritmos.

Artista que seguiu fiel ao forró pé de serra, tem como mestre Luis Gonzaga. Com o Rei do Forró, trabalhou durante anos, foi motorista do Rei do Baião, seguindo a carreira do mestre foi crescendo profissionalmente e hoje é o mais antigo e tradicional artista do forró pé de serra.
Desde que passou a ter medo de avião (nem ele sabe o porquê), a vida de Dominguinhos é rodar por esse país, dirigindo o próprio carro, a exemplo do Mestre Lua. E lá vai ele para o São João no Nordeste em junho de novo.
Gil gravou duas parcerias com ele que são fundamentais. Lamento Sertanejo, a canção mais representativa e mais regravada de Dominguinhos, era um tema instrumental "mais ligeiro" que o pernambucano tinha gravado em 1964. Gil colocou letra e a transformou numa toada. No mesmo disco, registrou outra obra-prima, Tenho Sede. "Para mim é a melhor gravação de uma música minha", diz o sanfoneiro. "A outra é Contrato de Separação com Nana Caymmi."

Mas o Brasil também foi contemplado com outras belezas dele: Gostoso Demais, com Maria Bethânia, várias na voz de Elba Ramalho (como De Volta pro Aconchego), De Amor Eu Morrerei exclusiva de Gal Costa, e animados duetos com Luiz Gonzaga (Quando Chega o Verão), Gil (Abri a Porta) e Chico Buarque (Isso Aqui Tá Muito Bom), parceiro dele em Xote de Navegação. "Chico demorou 15 anos para colocar letra nessa música, ficou uma maravilha."

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